Balada Colorida


E os héteros começam a invadir as baladas (aqui no Espírito Santo, rocks) LGBT em busca de tranquilidade e boa música.

Acho isso super legal, afinal, a segregação nunca é algo saudável. O ideal seria que todos pudessem frequentar o mesmo espaço.

É sobre esse assunto que tratou uma das reportagens de sexta-feira do Jornal A Gazeta. A invasão hétero nas boates gays da Grande Vitória.

Legal ver uma reportagem sobre esse assunto no caderno sobre diversão. Mas quando ocorre o contrário, geralmente vemos essa notícia no caderno policial. Como quando três travestis foram impedidos de entrar em uma das boates da Grande Vitória por não estarem "vestidos como homens". Resultado: ganharam uma boa indenização que o dono da boate quis trocar por ingressos vips.

Pena que muitos desses frequentadores héteros de boates LGBT - me refiro aqui aos homens - vão para tentar pegar as lésbicas e bissexuais frequentadoras (já sofri tentativa de agarradamendo por dois em boates da GV e só devo ter ido umas 5 vezes nelas).

Acho realmente super saudável esse intercâmbio mas, assim como eles cobram "respeito" das pessoas LGBT à orientação sexual hétero deles, eles deveriam fazer o mesmo, comportando-se adequadamente em um local onde as mulheres, em sua grande maioria, estão interessadas em mulheres e os homens, neles (rs).

E mais saudável seria se a recíproca também fosse verdadeira e gays e lésbicas pudessem frequentar boates héteros sem receber, na melhor das hipóteses, olhares reprovadores dos frequentadores.

Noite de sexta-feira. Passa de meia-noite e uma fila de baladeiros dobra a esquina de uma boate na Praia do Canto, ocupando a calçada. Por trás dos muros da casa, ladeada por uma varanda, já se ouve um burburinho, sinal de que a balada promete. Na pista, luzes coloridas dançam velozes, conforme a música, eletrônica e sedutora.

Quem entra vê que o clima é de alegria, e a ordem é dançar. Trata-se de uma balada gay comum, no clube LGBT Ink Lounge, na Praia do Canto. Mas não tão comum assim. É notável que casais e solteiros heterossexuais invadiram a pista "colorida". O motivo: solteiros querem apenas curtir a noite sozinhos, sem azaração; casais querem apenas se divertir a dois, sem perturbação ou brigas por ciúmes.

É o caso do analista de sistemas Danilo Moraes, 31 anos, e de sua namorada, a estudante Paula Orrico, 23. Eles já se esbaldaram juntos na Move Music, em Goiabeiras, e ela, em sua primeira ida à Ink Lounge, não poupou elogios à casa. "A música é ótima, a galera ri e se joga mesmo. A balada fica ainda mais divertida quando vamos com uma turma de amigos, a maioria gays. Adoro!", conta a moça.

Fã de música eletrônica - carro-chefe na noite colorida -, Danilo já perdeu a conta de quantas vezes frequentou boates LGBT na Grande Vitória. Preconceito ele já sofreu, mas tirou de letra. Cantadas? Leva na esportiva. "Não devo nada a ninguém. Nunca fui desrespeitado em uma balada gay. Tenho vários amigos homossexuais, e quando fui a uma boate GLS pela primeira vez, tinha um certo preconceito", confessa. "Mas gostei tanto da música e de ver que as pessoas só estavam ali para se divertir, que passei a ir com frequência".

De fato, a balada está cada vez mais democrática. O gueto que separa homos de héteros está chegando ao fim. É o que diz Paulo Pringles, DJ paulista que fez ferver a pista lotada da Ink na última sexta. "Acho mais comum um hétero ir à balada gay do que o contrário. As mulheres gostam de ver caras bonitos, malhados. E os gays se cuidam, vestem-se bem. Daí vários homens héteros vão às festas LGBT atrás dessas mulheres", teoriza.

Sem amolação
Porém muitas (senão a maioria) das baladeiras que circulam livres e soltas na noite gay não querem saber de azaração. Por isso escolhem as boates LGBT para dançar até altas horas, sem amolação, sozinhas ou com os amigos.

A estudante Gisele Santiago foi para a pista da Ink com a amiga Keila Ferreira. Levou também o namorado, mas não a tiracolo. "Ele me deixa livre para dançar, pois sabe que ninguém vai me incomodar", conta.

O estudante Kadu Almeida, que trabalha na casa como iluminador, também curte a balada despreocupado na companhia da namorada, Thaís Souza. "Não me importo de deixá-la sair de perto de mim para buscar bebida ou ir ao banheiro pois o pessoal respeita, tanto héteros quanto gays. Também fico relaxado pois sei que não vai ter briga, o clima é de paz", diz.

É isso mesmo. "A balada gay pode ser definida com uma palavra: liberdade", comenta o cabeleireiro Kady Kettyllyng, frequentador assíduo da casa. Para outro habitué, o maquiador Victor Dinelly, a "invasão" hétero não atrapalha. Pelo contrário, ele garante, a tendência é globalizar.


Fonte: A Gazeta

Um comentário:

garoto cientista disse...

Uau, super bacana, não tinha visto a matéria, adorei, não sou freqüentador destes espaços, raramente vou acompanhado de amigos gays, mas que bom que está assim, anima mais ainda em freqüentar. Abraços.

Postar um comentário