Parada Gay atrai 20 mil pessoas a Cariacica




Fonte: Jornal A Gazeta

Fantasiados, drag-queens, casais e simpatizantes não se importaram com o forte calor deste domingo (29) e participaram da festa com muita animação.

Uma mistura heterogênea de pessoas tomou conta das ruas d0 bairro Campo Grande em Cariacica, durante a sétima edição do Manifesto de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT) do município.

Segundo a presidente da Associação Arco-íris Espíritossantense, Hellen Biazzart, Cariacica ficou um período sem receber um manifesto LGBT porque não havia grupos interessados em assumir a organização de um evento de grande porte. Segundo ela, a intenção e reforçar movimentos do gênero.

"O município de Cariacica é o que agrega o maior público em paradas e manifestos gays. Estamos realizando essa caminhada com muito orgulho. Já está começando o movimento muito bonito, muito colorido, vamos resgatar nossa cidadania, o respeito. Queremos que a sociedade diga não ao preconceito e à discriminação", ressaltou Hellen.

Entre os participantes homossexuais, muitos não escondiam o clima de romance. É o caso de Leonardo e Fábio, que apesar de uma diferença de idade de 17 anos, foram ao manifesto vestidos de policial e prisioneiro.

"Desde o primeiro dia nos sentimos presos um ao outro. A gente veio aqui para levantar nossa bandeira, nosso orgulho, e mostrar a todo mundo que o mundo é muito mais colorido que as pessoas pensam", afirmou Leonardo.

Apesar de assumirem o romance no Manifesto, o casal prefere esconder sua condição em público, fora do evento. "Por ora, a gente está se conhecendo, tem que ser uma coisa mais tranquila, mais normal. A gente não pode agredir a sociedade. Aqui é um movimento para a gente se sentir livre e bem, mas lá fora a gente tem que ser mais reservado. No momento certo, demonstramos nosso carinho", explicou Fábio.

O secretário de Cidadania e Trabalho de Cariacica, Jorge Davel, que foi ao 7º Manifesto LGBT representando o prefeito Helder Salomão, afirmou que o público pode esperar o apoio da administração pública em novos eventos, além de ações de apoio aos homossexuais.

Para garantir a segurança do público, a Polícia Militar marcou presença com três viaturas e 60 homens fardados. Durante as dez horas do evento, o público pôde conferir muita música, shows e apresentações que enalteceram a presença homossexual em Cariacica.

Juízes ignoram a lei e beneficiam os gays




Fonte: Jornal A Gazeta

No Brasil, se depender das leis, direitos civis específicos dos homossexuais são inexistentes. Mas juízes e tribunais de todo país vêm fazendo uma revolução silenciosa ao legitimar, quase que diariamente, relações homoafetivas, com decisões vanguardistas e pouco difundidas. A Justiça Federal tem sido a mais ousada, mas ganham destaque ações da Justiça de alguns Estados, como a do Rio de Janeiro e a do Rio Grande do Sul. A Justiça paulista é considerada uma das mais conservadoras.

Exemplo de uma decisão avançada e pouco difundida é um despacho de 12 de dezembro de 2008, do juiz Cairo Roberto Rodrigues Madruga, de Porto Alegre, que permitiu a duas crianças terem estampados em seus documentos o nome de duas mães – um direito nunca reconhecido por lei.

Empenhada em difundir essas decisões, a advogada Maria Berenice Dias, desembargadora aposentada do TJ gaúcho, criou um portal na internet com despachos de juízes e de tribunais de todo o país sobre o direito homossexuais.

São mais de 700 decisões nas quais o Judiciário confere direitos civis básicos. Figuram entre essas conquistas a união estável, a partilha de bens após a separação, pensão por morte do companheiro, adoção de crianças, visto de permanência no Brasil a estrangeiros que tenham companheiro do mesmo sexo, dependência em planos de saúde e mudança de nome e de gênero em documentos.

Em contrapartida, há no site decisões que negam esses direitos. Também há casos de indenização para compensar danos morais causados por preconceito.

Parada gay espera levar 40 mil a Cariacica



Fonte: Jornal A Gazeta

Sob o tema 'Diversidade Sexual e Cidadania', no dia 29 de novembro, a Associação Arco Íris Espirito Santense realiza o 7º Manifesto de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros (LGBT) de Cariacica. Segundo a organização, o manifesto é considerado o maior do Estado pela quantidade de público que recebe. Para este ano, a estimativa é de 40 mil pessoas.

A parada gay vai partir às 13h da Avenida Expedito Garcia, no centro de Campo Grande, em direção à Rua Alice Coutinho, próxima à Câmara Municipal. O evento vai contar com trio elétrico, dj's, gogoboys e shows de drag queens. A festa está programada para acabar às 22hs.

Para a presidente da Associação Arco Íris Espirito Santense, Hellen Brizzat, o objetivo da parada é cobrar do governo políticas públicas para a comunidade LGBT. "Queremos ter o direito de estudar, de se capacitar profissionalmente e de sermos inseridos no mercado de trabalho. O manifesto leva o lema de dizer não ao preconceito e discriminação, e sim à liberdade sexual".

Durante a festa, a organização do evento também informou que irá distribuir preservativos, além de conscientizar o público sobre as doenças sexualmente transmissíveis.

Obrigada pela informação, Maiara!

Companheira de servidora pode receber pensão




Fonte: Jornal A Gazeta

O Instituto de Previdência e Assistência Jerônimo Monteiro (IPAJM), do Governo do Estado, foi condenado a reconhecer a união homoafetiva de uma servidora já falecida e pagar pensão à mulher que viveu com ela por 20 anos. A decisão - a terceira em desfavor da autarquia - abre precedente para que outros casais homossexuais requeiram na Justiça o direito de herança em caso de morte de um dos cônjuges.

Das outras duas ações que já condenaram o Estado a reconhecer os direitos de um cônjuge homossexual, esta é a primeira que determina a inclusão imediata do repasse do beneficiário na folha de pagamento, mesmo com a possibilidade de recurso por parte do Estado. Caso o IPAJM descumpra esta determinação, fica sujeito a multa no valor de R$ 1 mil por dia, além de sanções criminais e civis.

As duas mulheres, que terão os nomes preservados, chegaram a declarar a união homoafetiva por meio de uma escritura pública lavrada em cartório, que depois veio a servir como prova no processo judicial. Em 2006, a servidora do Estado faleceu, vítima de um câncer no intestino.

De acordo com o advogado Rodolpho Randow, que fez a defesa da parceira da servidora, a decisão teve que levar em consideração mais que relatos de testemunhas e provas.

"A Constituição diz que a união entre homem e mulher é reconhecida. Mas a interpretação que temos que fazer é que não há distinção entre direitos do homem e da mulher. Isso não quer dizer que eu só possa reconhecer a união entre um homem e uma mulher, ou seja, se uma pessoa tem um ente querido que vem a falecer, essa pessoa tem que ter seu direito previdenciário reconhecido", explica.

Após a morte da servidora do IPAJM, a companheira enfrentou problemas financeiros e, sem alternativa para quitar as dívidas, surgidas durante o tratamento contra o câncer, foi buscar oportunidades em Portugal. De volta ao Brasil, ainda não havia conseguido pagar, segundo ela, nem as despesas do funeral.

Instituto diz que vai recorrer da decisão

O presidente-executivo do IPAJM, Osvaldo Hulle, disse que a autarquia vai recorrer da decisão. Ele destacou, ainda, que o corpo jurídico do instituto fará um estudo sobre as alegações apresentadas a fim de convencer o Poder Judiciário de que o caso deve ser reavaliado. "Nós já cumprimos a determinação judicial e incluímos o nome desta pessoa em nossa folha de benefícios, mas há outros aspectos que devem ser observados para conservar a manutenção previdenciária".

Multa de R$ 32 mil para casa noturna que barrou travestis

Fonte: Jornal A Gazeta



O fato de três travestis terem sido barrados na porta da casa noturna Casa Clube, na madrugada do dia 8 de agosto, deste ano, começou a render punições para a empresa. O Procon de Vitória multou o estabelecimento em R$ 31.649,16, alegando que nenhuma empresa pode escolher a quem oferecer um produto ou um serviço.
Segundo Eliézer Tavares, o secretário Municipal de Cidadania e Direitos Humanos de Vitória, órgão ao qual o Procon está ligado, A atitude feriu o Código de Defesa do Consumidor, e isso justifica a multa.
O valor foi estipulado de acordo com uma estimativa do faturamento da empresa. A multa é de R$ 10.549,72, por cada um dos barrados. Cabe à Casa Clube recorrer da decisão. "No Procon há uma segunda instância. Se a decisão for confirmada lá, a empresa ainda pode recorrer ao Ministério Público Estadual, que possui uma vara especializada em consumidor", esclarece o secretário.
O dinheiro da multa não será destinado aos reclamantes. O valor recolhido segue para o Fundo Municipal do Procon e terá a finalidade de bancar ações para esclarecer à população sobre os direitos do consumidor.
Daniela Dshamps, um dos travestis barrados na madrugada do dia 8 de agosto, acredita que a decisão do Procon é o primeiro sinal de que está sendo feita justiça. "Estão nos dando razão. Nada que eles tiverem que pagar vai desmanchar a vergonha que passamos naquele dia", desabafa.

Luta pessoal
O travesti assume temer voltar ao local com medo de represálias "Não queremos mas ir lá, e estamos lutando, também, para que outras pessoas não passem pelo mesmo constrangimento", diz.
Além da ação que corre no Procon, as travestis aguardam, ainda, o resultado de um processo por danos morais que corre na Justiça comum. "Nós estamos pedindo indenização. A empresa já tentou acordo mas nós não aceitamos. Segundo o nosso advogado, a primeira audiência deve acontecer ainda este mês", relata.
A direção da Casa Clube foi procurada para comentar a polêmica envolvendo a denúncia e se posicionar a respeito da multa proferida pelo Procon, em outubro, relacionada aos fato de os três travestis terem afirmado que foram barrados na porta da casa noturna em agosto. Guilherme Baião Tavares, um dos sócios da casa noturna, informou por meio de uma nota que a primeira decisão foi contestada e a empresa está aguardando, agora, nova avaliação dos fatos pela Justiça.

'É necessária uma lei que puna quem cometa ofensas homofóbicas'




Victor R. S. Orellana* - O Estado de S.Paulo

- A essência do Estado de Direito é garantir equilíbrio, meios de vida e direitos para cada cidadão. Para viver em sociedade é necessário respeitar o próximo e seus direitos. A Constituição assevera que o Estado não pode discriminar seus cidadãos. É dever do Estado impedir que supremacistas brancos inferiorizem negros e afrodescendentes. Da mesma forma, é necessária uma lei que puna quem cometa ofensas discriminatórias, sejam elas sexistas, racistas, homofóbicas, xenofóbicas. O Estado deve estar ao lado dos direitos humanos e contra posturas retrógradas de setores da sociedade que tentam sabotar um projeto de lei destinado a promover a convivência pacífica e coexistencial. Falo do Projeto de Lei da Câmara (PLC) 122/2006. É cristão fazer o possível para que um gay não seja humilhado ou agredido por ser diferente. Isso é amor ao próximo, e é também dever cristão estar ao lado dos direitos humanos e da justiça social. Perguntaria aos evangélicos e indivíduos que se mobilizam contra o PLC 122 se acaso é cristão um gay ser assassinado por compartilhar a vida com alguém. Se é cristão sabotar uma lei que impede que mais atrocidades sejam cometidas contra minorias sexuais. Pode o Estado fazer prevalecer a opinião religiosa de alguns sobre toda a sociedade? Não pode.

Amo a Bíblia. Ela me ensina que Jesus se preocupava com o bem-estar do próximo. Não compreendo como pessoas podem interpretá-la longe desse princípio. A Bíblia é a favor do bem comum e coloca a dignidade do ser humano como o mais importante, porque conceitos, opiniões, doutrinas passam, mas sempre teremos nosso próximo para nos relacionar e em quem vemos a face de Deus.

*Victor R. S. Orellana é teólogo e pastor da Igreja Acalanto. Para conhecer mais sobre ele, clique aqui.

Ellen DeGeneres e Portia de Rossi entrevistadas por Oprah



Fonte: GNT

No The Oprah Winfrey Show desta segunda-feira (23), às 20h, as atrizes Ellen DeGeneres e Portia de Rossi, que começaram a namorar em 2004 e se casaram em 2008, dão uma entrevista juntas pela primeira vez. Elas contam como se apaixonaram e como foi o casamento.

Assistam:

Adiada votação de projeto que criminaliza preconceito contra idosos, deficientes e homossexuais



Fonte: Agência Senado

Foi concedido pedido de vista coletiva ao substitutivo da senadora Fátima Cleide (PT-RO) ao PLC 122/06, que torna crime a discriminação contra idosos, deficientes e homossexuais. A expectativa é que a proposição entre novamente em pauta na reunião da próxima semana.

O projeto divide opiniões: os senadores Marcelo Crivella (PRB-RJ) e Magno Malta (PR-ES), por exemplo, temem que os religiosos possam ser punidos por ensinar a seus filhos que a homossexualidade é um pecado, de acordo com valores religiosos. Malta afirma temer que se crie uma "casta" ao proteger pessoas que, segundo afirma, já tem direitos como cidadãos garantidos na Constituição.

Já a relatora da proposta, senadora Fátima Cleide, salienta que a sociedade brasileira "não pode mais continuar se omitindo" diante da violência, física e psicológica, a que são submetidos os homossexuais. O presidente da CDH, senador Cristovam Buarque (PDT-DF), afirmou que o projeto já não se trata mais de homofobia, mas sim de "sociofobias".

A CDH deverá realizar uma audiência pública para discutir o tema.

OBS: Vamos votar na enquete do Senado gente!!!

Maurício de Sousa cria personagem gay na revista “Tina”




Fonte: Universo Mix

A revista “Tina“, da editora Panini, surpreendeu quando sua 6ª edição trouxe, na história de capa, o primeiro personagem aparentemente gay das histórias de Mauricio de Sousa, criador da fantástica Turma da Mônica.

O melhor amigo de Tina, chamado Caio, confirma ter um “compromisso” com outro rapaz. Para defender o amigo, Tina discursa contra preconceito em geral.

De acordo com a assessoria de Maurício de Sousa, é a primeira vez que o assunto é abordado abertamente nas histórias. Na Turma da Mônica Jovem, no entanto, a personagem Denise utiliza-se de várias gírias adotadas – também – pelos gays. O próprio Maurício afirmou que Denise poderia ter um amigo gay e assimilado o vocabulário dele.

Tina é uma personagem que foi criada nos anos de 1960, inicialmente com um visual hippie, e agora é estudante de jornalismo e suas histórias são voltadas para um público mais adolescente.

PLC 122/06 - APROVADO NA CAS




Fonte: Agencia Senado

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou, nesta terça-feira (10), projeto de lei que torna crime a discriminação contra idosos, deficientes e homossexuais. A proposta (PLC 122/06), de autoria da então deputada Iara Bernardi, foi aprovada na forma de substitutivo oferecido pela relatora, senadora Fátima Cleide (PT-RO). A matéria agora será examinada pelas comissões de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) e de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), antes de seguir para votação em Plenário. Como recebeu alteração no Senado, o projeto voltará à Câmara dos Deputados.

A senadora ressaltou que o projeto foi amplamente discutido em várias audiências públicas, com a participação de diversos segmentos sociais, nos dois anos em que tramita no Senado. Com a apresentação do substitutivo à proposta, Fátima Cleide solicitou cancelamento de audiência prevista para debater mais uma vez o assunto na CAS.

A proposta original incluiu a punição de atos discriminatórios por sexo, gênero ou orientação sexual na lei que pune a discriminação por racismo, religião ou local de nascença (lei 7.716/89). O substitutivo da senadora Fátima Cleide ampliou o rol dos beneficiários da lei para punir também a discriminação ou preconceito de origem, condição de pessoa idosa ou com deficiência, gênero, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.

- A homofobia é a principal causa da discriminação e da violência que se pratica contra homossexuais e transgêneros. São milhões de cidadãos considerados de segunda categoria: pagam impostos, votam, sujeitam-se a normas legais, mas, ainda assim, são vítimas de preconceitos, discriminações, chacotas - ressaltou a senadora.

Fátima Cleide disse que o substitutivo está embasado em princípios fundamentais da Constituição, que não admite qualquer forma de discriminação.

Na avaliação da presidente da CAS, senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN), O Brasil é "um país livre e as pessoas devem ter seus direitos respeitados". A senadora lembrou a agressão que sofreu a estudante universitária Geysi Arruda, da Universidade Bandeirante (Uniban), por ter ido à aula com vestido curto. Rosalba alertou que situações como essa podem gerar todo tipo de violência.

Enquete está momentaneamente fora do ar



Deu pau na enquete sobre a PLC 122/2006. Saiu no site do Senado ontem (6/11/2009)

"Com participação recorde de internautas, a enquete colocada no ar pela Agência Senado e pela Secretaria de Pesquisas e Opinião Pública (Sepop) saiu do ar, momentaneamente, por problemas técnicos. Até o final da manhã desta sexta-feira (6), a pergunta "Você é a favor do PLC 122/06, que torna crime o preconceito contra homossexuais? " já tinha recebido mais de 500 mil respostas. Desde o início das votações, as opções "sim" e "não" se revezaram na dianteira, e a enquete segue equilibrada.

A enquete voltará ao ar ainda hoje, com aprimoramento do sistema de segurança. Os técnicos da Sepop investigam a possibilidade de burla no sistema. O resultado final será conhecido no fim do mês de novembro. As enquetes pela internet não utilizam métodos científicos, apenas colocam os temas em debate."

Até agora, a enquete ainda não voltou...

PLC 122/2006 - Enquete do Senado



Esta ocorrendo uma enquete no site do Senado Federal referente ao Projeto de Lei 122/2006 (, sobre homofobia.
Até o presente momento, o resultado apresentado é de 37% pelo SIM e 63% pelo NÃO.
Que tal revertermos isso?
Entrem e votem!

Alegria geral - Rio é eleito na internet o melhor destino gay do mundo


Fonte: A Gazeta


O Rio de Janeiro, que foi eleita a cidade mais feliz do mundo, recebeu ontem outro título – o de melhor destino gay do planeta. Depois de encabeçar a lista das dez cidades do mundo consideradas mais felizes, segundo uma relação divulgada em setembro pela revista econômica "Forbes", o Rio chegou na frente de outras cinco metrópoles – Barcelona, Buenos Aires, Londres, Montreal e Sydney –, numa eleição promovida pelo "Logo", um canal da MTV destinado ao público homossexual, através do site TripOutGayTravel.com. Num guia rápido das atrações, o site indica a Rua Farme de Amoedo, em Ipanema, como a mais gay da cidade.

"A sociedade é bissexual"




Entrevista com Vagner de Almeida publicada no Jornal A Gazeta

Participem da enquete

Há quase 25 anos, Vagner de Almeida estuda questões de sexualidade e gênero no Brasil. Mais do que falar sobre isso, Vagner se propôs a dar voz a homossexuais e travestis em seus filmes. A violência contra quem tem coragem de fazer opções diferentes é tema recorrente em todas as suas obras. Violência essa gerada pela intolerância, pelo preconceito e pela hipocrisia. Para ele, grande parte da sociedade é bissexual e se recusa a admitir, muitas vezes para esconder a homossexualidade. "Se a gente aceitar que há outras opções além da relação homem e mulher e desistir de julgar as pessoas pela aparência, vai ficar muito mais fácil viver nesse mundo", ensina.

De onde veio a motivação para fazer filmes sobre homossexuais?
Há anos venho trabalhando com questões de gênero, direitos humanos e saúde. E desde então vinha fazendo muita coisa, como documentários e vídeos educativos para homens HSH (Homens que fazem Sexo com Homens). A ideia era fazer uma trilogia. O primeiro foi o "Borboletas da Vida", que mostra a transformação de jovens em travestis, seguido por "Basta um Dia", que mostra o cotidiano dos travestis já assumidos. Mas, quando estava me preparando para fazer o último - hoje em faze de finalização, "Sou Mulher, sou Brasileira, sou Lésbica" -, vi que quase todas as protagonistas dos dois primeiros tinham sido assassinadas. Foi aí que surgiu "Sexualidade e Crimes de Ódio", para mostrar essa realidade tão bruta vivida pelos travetis.

A gente se acostumou com uma imagem do gay glamourizado e você denuncia a violência. Como essas duas realidades se encontram?
A violência contra o gay existe em todas as esferas. A sociedade é homofóbica e intolerante e, por isso, as pessoas preferem, por autodefesa, continuar em seus casulos. Tem a violência que gera mortes, mas tem também a violência cotidiana, de xingamentos, de olhares enviesado. Os travestis ainda sofrem com a violência do sistema educacional, da comunidade onde vivem, de tudo o que eles têm que abandonar para se assumir. E tem a violência da própria comunidade GLBT, onde também há discriminação. O que se vê nas paradas gays incentiva essa glamourização. A tal ponto que o maior símbolo das paradas são as Drag Queens, que nem necessariamente gays são. Mas, no fundo, há uma grande desunião, incapaz de mobilizar. Tanto que mesmo com todas essas paradas, até hoje o abaixo-assinado do site Não Homofobia, não tem 1 milhão de assinaturas para movimentar o projeto de lei que criminaliza a homofobia.

Você está terminando um filme sobre lésbicas. A violência é maior contra elas?
Há muita violência física contra o homem gay, noticiada pelos jornais, inclusive. Mas, no caso das lésbicas, é pior, pois essa violência é velada. Ela começa dentro de casa. O menino afeminado é cobrado para ser macho pelos pais, mas a mulher é achacada, xingada, colocada para fora e tachada de "vergonha da casa". Por isso, a mulher lésbica está muito mais dentro do armário do que os homens homossexuais. O homem assumido é glamourizado, ele vira cabeleireiro, melhor amigo das mulheres. A mulher que é visivelmente percebida como lésbica não tem a mesma aceitação. Mesmo quando desenvolve atividades tipicamente masculinas.

Ela sofre também pelo simples fato de ser mulher...
Exatamente. Em primeiro lugar porque a mulher é mais frágil fisicamente, o que já dá vantagem ao homem. Em segundo lugar, por causa da sociedade em que vivemos, machista, patriarcal, que obriga mulheres a arrumar a casa enquanto o irmão pode sair para jogar bola. A mulher sofre com muitos estigmas, tem salários menores, obrigação de casar, de obedecer, de procriar mesmo quando é lésbica. A cobrança é maior, e a violência consequente dela também.

O homossexual masculino é mais aceito que a lésbica?
De certa forma, sim. O homem vira cabeleireiro, e a mulher, tem que virar estivadora? Aos poucos, essa mentalidade vai mudando. Assim como a mulher de uma forma geral vem lutando ao longo das últimas décadas para conseguir um lugar ao lado do homem na sociedade, as lésbicas começam agora essa luta pelo reconhecimento. Para elas, é mais difícil sair do armário. Tanto que as lésbicas mais novas não se masculinizam, fazem o tipo mais básico, com calça jeans, chapéus. Mas, no filme, as lésbicas destacam uma coisa: elas não querem ser aceitas, querem apenas respeito, como qualquer outra pessoa.

A aparência choca mais do que a opção sexual?
Nem todo mundo é igual, nem todo gay é afetado, nem toda travesti é briguenta. Da mesma forma, as lésbicas também podem ser femininas. Algumas pessoas, às vezes, exageram nas roupas, no comportamento. Mas você não tem o direito de julgar ninguém por isso, desde que elas não te agridam nem invadam seu espaço privado. Se todo mundo seguisse essa lógica, seria muito mais fácil viver nesse planeta. Nos grandes centros, um pouco mais tolerantes, aceita-se a criação de guetos para esses públicos, mas, no interior, os homossexuais não têm espaço. A gente vive nas capitais, glamourizando as paradas, acha que é tudo muito normal, mas o resto do Brasil não está preparado para respeitar essa diversidade.

Afinal, o que é ser homossexual no Brasil?
Essa é a pergunta que norteia o documentário sobre as lésbicas. Nas histórias, surge sempre a relação de parceria com outras mulheres, as drogas, a bebida, a obesidade e até a AIDS, pois elas também são infectadas, apesar de não se sentirem vulneráveis. Mas ser lésbica difere muito de acordo com o segmento social. A classe social influencia muito o fato de a mulher se assumir ou não. Porque elas perdem trabalho, amigos, vários direitos quando são "descobertas". A classe média e principalmente a classe alta são as mais segregadas. Muitas delas não conseguem pronunciar a palavra "lésbica". Se recusam a se colocar nesse contexto. Apenas as ativistas e as mulheres das camadas mais populares toparam aparecer no vídeo, por exemplo.

Muita gente, para não assumir, se esconde na bissexualidade, que parece até estar na moda...
Verdade, e, muitas vezes, essa postura é criticada dentro do próprio movimento GLBT. É uma situação impressionante, mas não chega a ser um fenômeno. É apenas uma coisa que está vindo à tona agora. Com a luta de vanguarda dos homossexuais, os "bi" começaram a se sentir mais confortáveis em se assumir. Nos anos 1990, teve um momento em que a bissexualidade foi muito contestada, porque todo homossexual masculino, quando ainda não podia assumir a experiência com outro homem, se desculpava dizendo que apenas "comia" os homens, que era o ativo, só para não deixar a oportunidade passar.

Hipocrisia misturada com preconceito...
A nossa sociedade, na verdade, é completamente bissexual. Não é homossexual, nem travesti, nem lésbica, principalmente se levarmos em conta o número de homens casados que transam com outros homens ou com travestis. A diferença é que, amparados no estereótipo do macho, do "comedor", eles multiplicam ainda mais os preconceitos, as piadinhas contra gays. Isso, pelo menos até o primeiro gole de bebida alcoólica, quando todos se revelam. Só que, para a comunidade GLBT, se você, em qualquer momento da sua vida, beijou ou teve relações com alguém do mesmo sexo, você é gay. Eu particularmente discordo. O fato de uma mulher ter beijado uma outra mulher uma vez ou duas não quer dizer que ela seja lésbica. Afinal, você vive num campo de sexualidade em que os desejos afloram e você tem o direito de experimentar e, no futuro, seja de curto ou longo prazo, escolher aquilo que te interessa mais.

A bissexualidade seria apenas uma transição?
A bissexualidade, para mim, é uma ponte, em que você transita de um lado para outro. Mas existe sim a bissexualidade em que você se sente atraído e excitado por ambos os sexos. Mas tem também as pessoas que se escondem na bissexualidade para não assumir 100% o lado homossexual. Muitos escondem para não atingir os filhos de um casamento heterossexual. Mas criança não é preconceituosa. Nós, sociedade, é que fazemos com que ela cresça assim. Nós ainda criamos nossos filhos dentro da heteronormatividade. E aí qualquer coisa que fuja desse padrão vai continuar sendo vista como errada, mesmo que, quando crescer, a pessoa sinta essa atração diferente, o que causa muitos conflitos. Não dá para pensar que o homem nasceu para a mulher, vice-versa e pronto. Pois há sim opções. O desejo pode ser sufocado, mas não vai ser morto, nem por psicólogos, nem por religiões.

Quem é ele
Representação. Vagner de Almeida tem 52 anos e é coordenador do Projeto Juventude e Diversidade Sexual da ABIA - Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS - no Rio de Janeiro

Ações. Faz parte da equipe do Programa de Gênero, Sexualidade e Saúde Sexual nas Comunidades Latinas da Mailman School of Public Health, na Universidade de Columbia, Estados Unidos

Trabalho. Diretor de filmes e teatro, ativista, escritor, ator e crítico de teatro, foca seu trabalho nas questões de gênero e sexualidade e a relação entre a exclusão social e saúde (www.vagnerdealmeida.com)