Travestis denunciam discriminação em boate




Fonte: Jornal A Gazeta

Daniela, Amanda e Maísa passaram a semana inteira preparando-se para o que esperavam ser "a noite". Mas, na madrugada do último domingo, depois de uma produção caprichada, com direito a roupas e sapatos novos, viram frustradas suas expectativas ao serem barradas na porta da Casa Clube, na Praia do Canto, em Vitória.

Segundo denúncia feita à polícia e ao Centro de Atendimento às Vítimas de Violência e Discriminação, a causa teria sido o fato de Daniela, Amanda e Maísa serem, na realidade, Gleison Silva Goes, 24, Anderson Felix dos Santos, 20, e Alfred Rodrigues Oliveira, 18, todos travestis.

A direção da casa de shows nega, mas Daniela não tem dúvida: "O que aconteceu ali foi um caso de homofobia. Logo que os seguranças nos viram chegando, ouvimos os comentários de que éramos travestis".

Ainda de acordo com a denúncia, depois de verem as carteiras de identidade de Daniela, Amanda e Maísa, seguranças teriam dito que, para entrarem na Casa Clube, elas deveriam voltar para suas casas e vestir "roupa de homem".

Amanda diz que "foi muita humilhação". Indignadas com o fato de terem sido barradas, enfrentando constrangimento e "chacota", as três decidiram, então, chamar a polícia.

Alô, é da polícia?

"Ligamos para o 190 e, em pouco tempo, os policiais chegaram. Mas disseram que não poderiam forçar a nossa entrada na casa. Decidimos, então, ir até uma delegacia para registrar uma ocorrência", contou Daniela.

Ontem, de posse do boletim de ocorrência da polícia, as três foram até o Centro de Atendimento às Vítimas de Violência e Discriminação, em Vitória, para registrar outra denúncia.

"Queremos punição para que não se repitam situações como a que vivemos. Ali, houve discriminação, porque, à 1 hora da manhã, a casa não estava lotada. Muita gente entrou depois de nós", disse Daniela, que quer voltar à Casa Clube para "entrar pela porta da frente".

Maísa também quer ter o direito de frequentar a casa, mas Amanda se diz receosa. Elas garantem que nunca viveram situação semelhante. "Somos respeitadas, frequentamos outras casas noturnas, sem problema. A gente tem nível. Além disso, tinha sentido vestirmos roupa de homem com os seios e os corpos que nós temos?", dizem elas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário